
O quadro de Tarsila do Amaral (Capivari, 1 de setembro de 1886 — São Paulo, 17 de janeiro de 1973) “Antropofagia” também distorce o corpo: As formas humanas são abrutalhadas, perdem o contorno sensível se ampliando e diminuindo. Tudo é tratado de forma a “parecer” abstrato, os rostos não tem fisionomia, as escalas corporais são abolidas e as figuras são achatadas sob o plano do quadro (apesar de ainda existir um certo “volume” presente nas suas bordas), porém o espaço é ainda o da representação pois ali se encontram a linha do horizonte, o céu, as plantas, e as formas corporais numa relação com o real.
A linguagem geométrica de "Antropofagia" não configura um campo abstrato pois ao mesmo tempo em que existe um distanciamento com a realidade através das formas, o quadro também está preso a ela pelas relações entre seus elementos. Diferente da foto de André onde a figura parece estar flutuando enquanto se deforma em um espaço virtual, aqui o estranhamento se dá através da incoerência entre trabalhar a abstração presa ao espaço da representação.
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