
A foto de André Kertész (2 Julho de 1894 – 28 de Setembro de 1985) “Distorção” n˚ 40 é conseqüência da captação de uma imagem real feita através de espelhos ondulados. A imagem se deforma com intensidades diferentes no espaço do quadro. Se olharmos diretamente para as pernas perdemos a noção de um corpo humano, mas já outras partes como as mãos e o rosto são mais preservadas. A diferença de intensidade na distorção do quadro causa uma estranha relação entre o abstrato e a representação, pois cria um movimento de se aproximar e recuar da realidade que é feito de forma gradativa e contínua.
Existe um prolongamento, uma continuidade que liga estes dois mundos, nos transportando ora para um, ora para outro, sem que isto seja uma experiência que se interrompa. A posição corporal em que a mulher se encontra é também inusitada, o tronco se comprime criando um angulo pontudo, como se este corpo não tivesse braços, é aflitivo. As mãos estão tão unidas que mais parecem um só conjunto, um outro órgão feito de um emaranhado de dedos que brotam inesperadamente das coxas.
Tanto o jogo das distorções do espelho, como a posição de torção do corpo da modelo e o angulo que o artista escolheu para clicar a foto são significativos de estranhamento. As distorções causam um desconforto aliado a uma subjetividade. É inegável a relação entre esta obra e o surrealismo, que propõe que a arte fosse este emaranhado de imagens distorcidas guardadas no nosso subconsciente.
nossa! lembra Tarsila!
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