
O cartaz produzido pelos irmãos Georgii e Vladimir Stenberg para o filme O Homem da Câmara de Filmar (1929) de Dziga Vertov, também causa desconforto. Embora não exista conflitos entre figuras representativas e abstratas, existe uma incoerência na imagem. Os prédios ao fundo parecem ter sido fotografados em um ângulo de cima para baixo, como se alguém estivesse olhando para cima dos prédios, enquanto a moça posicionada no centro da composição dá a impressão de estar caindo em um movimento circular. Meu olhar não consegue seguir uma só referência e fica preso a um certo momento ilusório.
Podemos concluir que o estranhamento nas artes visuais está tanto na abstração das formas quanto nas várias relações entre figuras e formas, e está apoiado principalmente em como enxergamos o mundo a nossa volta e de como nos relacionamos com ele. O estranhamento é o desconhecido, o inesperado, algo que não deveria estar ali mas de alguma forma está. É principalmente uma possibilidade de um novo olhar e de uma novo questionamento em relação ao que se apresenta. O estranho, o não usual pode ser uma grande ferramenta para se ampliar o olhar.


















